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Leonelli detona “atitudes do PT” e nem Lula escapa

Por marlonfm

Um dos principais líderes do PSB na Bahia e ex-secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli, não escondeu a insatisfação com cúpula petista na Bahia e no país. Em texto divulgado nas redes sociais, na noite desta terça-feira (01/03), fez duras críticas sobre a investida do PT liderada por Lula e Rui Costa que resultou no desmonte da chapa que traria Jaques Wagner como candidato ao governo em um “passe de mágica”. Leia abaixo o desabafo:

Por enquanto quem está ganhando com a implosão da chapa majoritária PT-PSD-PP que concorreria às próximas eleições na Bahia, é o jovem candidato da Arena-PDS- PFL- DEM-União Brasil, ACM Neto.

A parte que tocava à esquerda nessa chapa era a candidatura de Jaques Wagner ao Governo do Estado. O correto senador Oto Alencar seria candidato à reeleição. O PP continuaria como vice. Era um consenso aceito por todos os partidos que mesmo não participando da chapa majoritária ( PSB, PCdoB, Avante e outros ) sentiam-se nela representados.

Nessa operação o governador Rui Costa continuaria à frente do Governo do Estado e seria ministro no futuro governo de Lula. Faria por Wagner o que Wagner fez por ele em 2014.

E não seria apenas por gratidão, mas , sim por necessidade política dada a força da candidatura de ACM Neto. Numa manobra da cúpula das cúpulas considerada pelo meu partido, o PSB, como desrespeitosa aos partidos que construíram a primeira vitória de Wagner em 2006, essa chapa foi desmontada num passe de mágica.

Rui sai do governo para se candidatar ao Senado , Wagner desiste e o senador Oto Alencar seria o candidato ao Governo.

As possíveis razões desse cavalo-de-pau num transatlântico são puramente petistas e não levaram em conta as outras forças progressistas da Bahia. Atribui-se a responsabilidade a Lula querendo trazer o PSD para sua aliança eleitoral já no primeiro turno e ao desejo de Rui Costa de aproveitar os altos índices de aprovação do governo para candidatar-se ao Senado. E a Wagner a compreensão de que sua eleição seria muito difícil se Rui abandonasse o governo em abril.

O que é que veio antes ou depois: a candidatura de Rui ao senado, a manobra de Lula junto ao PSD, usando a Bahia como moeda troca, ou a chateação de Wagner? Sinceramente não importa a ordem desses fatores. Permanece a indagação: a cúpula do PT tem o direito de tomar uma decisão dessa envergadura sem consultar nem as lideranças dos partidos aliados, nem a sociedade, nem os parlamentares e nem as bases do próprio PT?

Um governador, um ex-governador e um ex-presidente são os donos do destino politico da Bahia? E pela eventual volta da direita ao Governo do Estado?

Ressalte-se aqui o bom senso e a dignidade do senador Otto Alencar que, pelo menos inicialmente, resistiu a essa manobra que o levaria a uma candidatura para a qual não se preparou nem desejava. E embora tenha sido todos esses anos um firme aliado da esquerda no Senado, deve saber que ao disputar o governo, o primeiro argumento dos adversários será o de que a disputa se dará entre o velho “carlismo” representado por ele e o novo carlismo representado por ACM Neto.

E de quebra esse comportamento da cúpula do PT joga água no moinho dos que estão contra a formação da Federação que uniria as esquerdas, exatamente com o argumento do hegemonismo do PT.

Eu uso o argumento contrário: se já estivéssemos nos organizado numa Federação a cúpula do PT teria muito mais dificuldade para tomar uma atitude tão desrespeitosa e autoritária.

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