A 1ª Vara da Auditoria Militar decretou a prisão de dois policiais denunciados pelo Ministério Público da Bahia por crime de tortura, que resultou na morte de um homem em Itapebi, no extremo-sul do estado. Os decretos de prisão foram cumpridos nesta quarta-feira (9) pela Corregedoria da Polícia Militar da Bahia.
Conforme a denúncia, os PMs abordaram Epaminondas Batista Mota, de 52 anos, em um bar e o agrediram com socos, pontapés, golpes de taco de sinuca e golpes com um pedaço de madeira, tipo travanca, com o fim de obter informação e confissão. Durante a sessão, conforme a investigação, a vítima confessou o crime e levou os policiais até à sua casa, onde o celular foi devolvido, mesmo assim os policiais continuaram as agressões, como forma de lhe “aplicar castigo pessoal”. No bar, local da abordagem, foram recolhidos o taco quebrado em três partes e um projétil de arma de fogo, decorrente do disparo efetuado por um dos policiais na parede.
Após a tortura, os policiais levaram o suspeito para atendimento no hospital do município, onde, algemado com as mãos para trás e sentado no chão, respondeu a algumas perguntas da médica de plantão. Segundo a denúncia, a médica se limitou a indagar se Epaminondas Batista possuía alguma fratura e o liberou sem submetê-lo a exame clínico. A conduta da médica também será analisada, após a coleta de outros elementos de persuasão.

Depois de ser liberado pelo hospital, Epaminondas Batista teria sido arrastado pela gola da camisa até a viatura, que estava no pátio da unidade de saúde, e levado para a delegacia, onde já chegou inconsciente. O percurso do hospital até a delegacia durou apenas dois minutos, conforme mostraram imagens de câmeras de segurança.
O laudo da necropsia traz como causa da morte “trauma fechado do tórax”, causado por instrumento contundente.
O comando da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar (7ª CIPM), enviou uma nota apenas confirmando o cumprimento do mandado de prisão e a transferência dos dois policiais para a Corregedoria Geral da Polícia Militar da Bahia, em Salvador. A reportagem ainda não conseguiu ouvir a defesa dos policiais e nem a médica citada no inquérito.